O que é

Exercícios físicos: Fazer exercícios físicos regularmente (três ou mais dias por semana), preferencialmente em ritmo leve a moderado (atividade é considerada moderada quando ocorre aumento da frequência cardíaca e respiratória, mas é possível conversar confortavelmente. É considera intensa ou vigorosa quando ocorre aumento da frequência cardíaca e respiratória e a conversação é difícil), retarda a incidência de doenças crônicas cardiovasculares, respiratórias, metabólicas, mentais e cânceres; auxilia no tratamento de doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, osteoporose, depressão, ansiedade, doença pulmonar crônica, reduz a mortalidade e está associado a uma melhor qualidade de vida. Em 2010, estudo com dados de 187 países estimou que a inatividade ou baixa atividade física fora responsável por cerca de 3,2 milhões de óbitos em todo o mundo.

Poluição do ar: A exposição a poluentes pode ocorrer de forma aguda, ou seja, por grandes variações diárias de poluentes, ou de forma crônica, ao longo dos anos, como acontece com quem nasce e/ou vive na maioria das médias e grandes cidades. Ambas as formas de exposição podem levar ao maior risco de desenvolver e de morrer em decorrência de doenças cardiovasculares, respiratórias, infecciosas e câncer de pulmão. Um abrangente estudo epidemiológico estimou em cerca de 3,4 milhões os óbitos globais associados à poluição do ar em 2010¹.

Exercícios e Poluição: ainda não esta bem estabelecido o adequado balanço da prática de atividades físicas em ambientes poluídos. Entretanto, os estudos disponíveis até o momento, sugerem que para indivíduos saudáveis ou com doenças controladas, fazer exercícios regularmente, mesmo em ambientes com concentrações de poluentes acima dos valores limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (ver Tabela 1), supera os efeitos negativos da maior quantidade de poluente inalada e depositada nos pulmões decorrente do aumento da ventilação, da velocidade do ar inspirado, da redução do clearance mucociliar nasal (mecanismo do sistema respiratório de depuração das partículas inaladas) e do aumento da respiração pela boca (que elimina o filtro nasal) que ocorre durante o exercício. Em indivíduos mais suscetíveis - crianças, idosos, com doenças crônicas do coração (insuficiência cardíaca, doença coronariana), com hipertensão arterial, diabetes e com doenças pulmonares crônicas (asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose pulmonar) é preciso maior precaução. O adequado controle clínico da doença é necessário, além da orientação médica quanto ao tipo de exercício que poderá ser praticado, que deve ter intensidade adaptada e evolução progressiva.

Poluição contribui para sedentarismo: Estudo recente revelou que indivíduos, mesmo sadios, não obesos, que moram em locais com maiores níveis de poluentes, realizam menos exercícios físicos quando comparados com os que moram em ambientes com melhor nível de qualidade do ar. Isso sugere que a poluição possa ser um fator desencorajador para a realização de exercícios.

Poluição, exercícios físicos e clima: Recomenda-se que qualquer indivíduo evite fazer exercícios em ambientes poluídos, em horários de pico de tráfego nas cidades, em vias de tráfego intenso de veículos. Isto é mais relevante para os grupos de indivíduos mais suscetíveis, antes referidos. Também devem todos evitar realizar exercícios em ambientes ao ar livre quando a umidade relativa do ar for muito baixa, pois nestes dias a concentração de poluentes tende a ser maior e as vias respiratórias, porta de entrada do ar que respiramos, trabalham com mais dificuldade para umidificar o ar e se defender dos poluentes nele presentes. O mesmo vale para a realização de exercícios em ambientes com temperaturas elevadas, que dificultam a dissipação de calor gerado pelo exercício. O intenso calor pode levar à desidratação do corpo e das vias aéreas e ao aumento da temperatura corpórea, com risco para ocorrência de lesões musculares, cardíacas, renais e cerebrais.

Nos comentários a seguir são apresentadas uma série de informações, orientações e dicas sobre a realização de exercícios físicos nas grandes cidades, que em sua maioria apresentam elevadas concentrações de poluentes na maior parte do ano. As recomendações não visam restringir a realização dos exercícios físicos, mas sugerir alternativas e dicas para a sua realização com mais proteção para sua saúde.

Tabela 1. Principais poluentes, fontes geradoras e valores limites

Poluentes Principais Fontes geradoras

      Limites de Exposição recomendados

       Brasil*                               OMS1

Poluentes primários
Material Particulado (MP) - µg/m³) Emissão de veículos automotores, indústrias, queima de biomassa

MP10 (M24hs2):150

MP10 (MAA): 50

MM10 (M24hs): 50

MP10 (MAA): 20

MP2,5 (M24hs): 25

MP2,5 (MAA): 10

Dióxido de enxofre (SO2) µg/m³) Indústrias, usinas termoelétricas, veículos automotores- queima de carvão e óleos

SO2 (M24hs2): 365

SO2 (MAA): 80

SO2 (M24hs): 20

SO2(M10min): 500

Dióxido de nitrogênio (NO2) - µg/m³ Veículos automotores, usinas termoelétricas, indústrias- combustão a elevada temperaturas

NO2 (M1h2): 320

NO2 (MAA): 100

NO2 (M24hs): 200

NO2 (MAA): 40

Monóxido de carbono (CO) - ppm Combustão incompleta de óleo, gás natural, gasolina, carvão mineral, queima de biomassa.

CO (M1h2):35 ppm

CO (M8hs): 8 ppm

CO (M1h): 26 ppm

CO (M8hs): 8 ppm

Compostos orgânicos voláteis (COV) Emissão veicular- Vapores de hidrocarbonetos (aldeídos, cetonas) Não estabelecido Não estabelecido
Poluentes secundários
Ozônio (O3) - µg/m³ Formado a partir da reação entre a luz solar e óxidos de nitrogênio e COV O3 (M1h): 160 O3 (M8hs): 100
Material Particulado (MP) - µg/m³ Formado a partir de reações fotoquímicas envolvendo gases como o NO2

MP10 (M24hs2):150

MP10 (MAA): 50

MP10 (M24hs): 50

MP10 (MAA): 20

MP2,5 (M24hs): 25

MP2,5 (MAA): 10


Nota: *
Resolução CONAMA No03/90; ¹Organização Mundial da Saúde 2006; MAA: média aritmética anual; M: média; 2Não deve ser excedido mais do que uma vez por ano; ppm: parte por milhão; M1h: maior média diária de 1 hora; M8hs: maior média diária de 8 horas. No estado de São Paulo está em vigor programa para redução progressiva dos limites para acompanhar as recomendações da OMS, estando os limites atuais em vigor ainda muito distantes (http://ar.cetesb.sp.gov.br/padroes-de-qualidade-do-ar/).

 

 

O que a ciência tem a dizer

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